Tem horas que dá uma revolta muito grande assistir a programas da TV e ouvir uma sequência de termos errados. Dá um arrepio desmedido ouvir palavras mal colocadas nas frases, ditas pelos apresentadores, muitas vezes, de programas líderes de audiência.
A “gente” é uma das palavras que mais ouvimos, tanto no rádio quanto na TV. Ah, nas ligações de telemarketing também!
Vejamos o que o Dicionário Aurélio nos diz sobre “gente”:
Gente – Substantivo feminino: Quantidade maior ou menor de pessoas indeterminadas; povo.
Exemplo: Havia pouca gente no cinema.
Outra definição: Determinado número de pessoas que têm em comum certas características, ou profissão, ou interesse pessoal:
Exemplo: A gente do meu bairro gosta de flores. É gente honesta. A gente do teatro foi em peso à festa.
E quando “a gente” ocupa o lugar do pronome “nós”?
Ensinam os gramáticos que o termo “a gente” só deve ser usado quando o verbo depois dele estiver no infinitivo. Assim, podemos dizer ou escrever, sem erro, “a gente” em vez do pronome “nós”. Só que “a gente” é usado também em lugar do pronome “eu”. É comum jogador de futebol dizer: “A gente marcou o gol na hora certa”. Ou seja, ele marcou o gol.
Mais exemplos: Quando a gente comprar um terreno no bairro para construir uma casa. Se a gente guardar dinheiro poderá comprar uma casa. Se a gente ganhar o dinheiro da loteria.
Nos dois casos acima os verbos estão no infinitivo. Pela ordem: comprar, guardar e ganhar.
O que é verbo no infinitivo?
Verbo no infinitivo, caso você não se lembre, é o verbo sem conjugação. Exemplos: amar, andar, falar, escrever, resolver, dividir, decidir, e muitos outros.
Quando a gente ganhar a eleição
Dia desses eu assistia, durante o horário político, a uma curta entrevista de um candidato a prefeito, aqui da região onde eu moro.
O apresentador do programa, contratado por ele, claro, lhe perguntou:
- Agora que seu nome aparece bastante, como você avalia sua campanha?
- A gente avalia que a campanha da gente cresce a cada dia. Tem gente vindo conversar com a gente. Gente procurando a gente. Gente abraçando a gente. Gente apoiando a gente.
- Você sente as pessoas se aproximar para conversar?
- Claro. Vem gente de longe pra apertar a mão da gente. Gente que traz proposta pra gente avaliar. Aí a gente conversa com essa gente e vê tanta gente que vão votar na gente.
Rapaz! É de torcer o fígado de tanta gente. Imagine como seria o comício dele, se ainda houvesse comício, como havia tempos atrás? Seria gente para todo lado que gente nenhuma do pedaço teria fôlego para aguentar.
No entanto, o que me fez desligar o televisor e ligar o computador para escrever este artigo foi um programa evangélico que eu assistia agora há pouco. Nele, quatro jovens discutiam o livro de Atos dos Apóstolos.
Só que eles exageravam no uso de “a gente” em lugar do pronome “eu” ou “nós”. Tal qual a entrevista do candidato a prefeito, me deu uma raiva tão grande que preferir deixar eles lá.
Aliás, além de “a gente” eles exageravam no uso constante de pronome pessoal logo após o sujeito. Esse é outro erro falado que incomoda muito.
Veja alguns exemplos: O jogador de futebol, ele precisa correr muito para fazer gol.
Lembra as aulas de interpretação de texto? Faríamos a pergunta: Quem precisa correr? Resposta: O jogador de futebol.
Logo, a frase correta seria: O jogador de futebol precisa correr para fazer gol.
Sem necessidade de se acrescentar o pronome “ele”. Mas, trata-se de modismo, você poderia me dizer. E eu lhe perguntaria: De onde vem esse modismo? Será que se aprende nas escolas?
Professor, escritor e blogueiro.
Autor dos livros infantis: Mokolóton - o extraterrestre, O Porquinho no Espelho, O Ursinho Chorão, O Ursinho Chorão e Outras Histórias.
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