Classe C: A hora da educação
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por: Revista Cobertura
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Data: Tue, 13 Nov 2012 Hora: 12:52 PM
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A nova classe média é considerada pelo ministro Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), como "o principal ativo do Brasil".
Não é para menos: esse grupo, composto por 40 milhões de pessoas que emergiram de camadas inferiores para a classe C na última década, deve movimentar R$ 1 trilhão no período 2012/2013 – valor que supera o da classe alta.
É o dinamismo da nova classe média, em sua busca contínua por ascensão social, que tem ajudado o País a crescer. Mas para consolidar esse movimento, de acordo com o ministro, essa população emergente agora precisará de maior escolaridade e qualificação profissional.
A nova classe C está em um novo patamar. Para subir de renda, o nível de exigência profissional ao qual ela estará submetida será bem maior do que aquele necessário para migrar da baixa renda para a classe média.
A SAE quantificou os fatores determinantes da ascensão social, e a escolaridade não aparece entre os principais responsáveis pelo salto da baixa renda para a classe média.
Entre esses dois grupos, há apenas 15% de diferença na escolaridade média. Programas de transferência de renda, por exemplo, tiveram peso maior nessa ascensão (17%). Por outro lado, a Secretaria identificou que a diferença de escolaridade média entre a classe C e a classe alta chega a 35%.
Autocrítica – Um mapa da SAE com os principais perfis dos saídos da pobreza para a nova classe média mostra a predominância de pessoas com ensino fundamental incompleto, que prestam serviços domésticos, vindos da área rural e de origem nordestina. Evidentemente, dar acesso a uma educação melhor a esse contingente que ganhou novo status social passa por investimentos públicos no sistema de ensino.
Nesse contexto, e em tom de autocrítica, Franco destacou ontem, durante o 1° fórum Novo Brasil, que entre os desafios do governo estão trazer o sistema educacional para o século 21 e qualificar os trabalhadores. "O Brasil mudou de escala. Não podemos mais trabalhar com metas de investimento de R$ 2 milhões ao ano porque o impacto na nova classe média será irrelevante", disse o ministro.
Entre as prioridades, Franco listou – embora sem abordar valores e prazos envolvidos – a necessidade de criação de mecanismos de continuidade entre a formação técnica e a superior, além de acabar com a evasão no ensino médio. "Nossa estrutura educacional é antiga. A maior modificação feita foi acabar com o Latim. Temos professores do século 20 ensinando alunos do século 21", afirmou Franco.
Os fatores determinantes para que o contingente de 40 milhões de brasileiros saíssem da pobreza e entrassem na nova classe média foi o aumento da renda e do emprego. Pelos dados da SAE, a renda média do trabalho – independentemente do nível de educação, qualificação, programas de transferência de renda ou quantidade de filhos – é maior para 71% da população da classe C, comparando com a da classe baixa.
Em 2002, pelos dados do governo federal, metade da população brasileira era considerada pobre pelos padrões socioeconômicos usados atualmente (veja quadro). Em 2012, com o avanço dos 40 milhões de brasileiros para classe C, os pobres passaram a ser 28% da população. Por sua vez, com essa migração a nova classe média saltou, nesse mesmo período, de 38% da população para 53%, avanço de 15 pontos percentuais. Os mais ricos, que eram 13%, cresceram 7 pontos percentuais, para 20% dos brasileiros no balanço deste ano.
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