AIG vai vender área de crédito e poupança

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por: Revista Cobertura Total leituras: 162 Nº de Palavras: 2974 Data: Tue, 13 Nov 2012 Hora: 12:46 PM 0 comentários

Mas, mesmo sem um braço de operações bancárias, a AIG está voltando os olhos mais agressivamente para a possibilidade de comprar contratos de crédito imobiliário como veículos de investimento, segundo afirmou seu principal executivo, Bob Benmosche, em entrevista telefônica a partir de Tóquio.

A AIG, que recebeu US$ 182,5 bilhões a título de socorro financeiro dos contribuintes americanos no auge da crise financeira, quatro anos atrás, vem se empenhando em saldar sua dívida com o governo, a fim de recuperar a sua credibilidade.

Por possuir uma divisão de crédito e poupança, a AIG é regulamentada pelo Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA). Mas, mesmo sem ela, a seguradora deverá se enquadrar como alvo de fiscalização permanente por parte do Fed como "instituição financeira sistemicamente importante", ou SIFI, nas iniciais em inglês. Essa designação ainda não lhe foi atribuída, mas a AIG tem afirmado reiteradamente que certamente a receberá. "Pretendemos fechá-la. Trata-se de uma área de atuação da qual não faz sentido participar", admitiu Benmosche.

Ele disse que esperou para vender a divisão para que não houvesse qualquer interrupção da supervisão da parte das autoridades reguladoras. E preferiu não informar que valor a venda poderá alcançar, embora tenha dito que a divisão detém menos que US$ 1 bilhão em ativos.

Contar com a supervisão do Fed sobre a estrutura de liquidez e capitalização é estrategicamente importante por infundir credibilidade, disse Benmosche, que estava no Japão acompanhando um esforço de nova gestão de marca. Benmosche disse não saber quando a AIG receberá a classificação de SIFI.

"Estamos sondando uma venda, avaliando a possibilidade de transformá-la num veículo fiduciário, em vez de uma instituição de poupança com depósitos. Estamos examinando uma série de alternativas", afirmou ele.

A AIG já conversou com bancos potenciais compradores e contratou advogados, informou Benmosche.

Apesar de tentar alienar a divisão bancária, no entanto, a AIG está fortalecendo sua atividade de crédito imobiliário. A seguradora de crédito imobiliário da empresa, a UGC, se tornou inesperadamente forte nos últimos anos, enquanto os concorrentes enfrentavam dificuldades devido aos prejuízos impostos pela era de crise.

Mas Benmosche disse que a AIG gostaria de ir mais além do que apenas cobrir com seguro contratos de crédito imobiliário.

"Procuramos formas de nos tornarmos investidores diretos em crédito imobiliário", revelou ele. "Vamos ampliar nosso financiamento direto próprio, tanto na área comercial quanto na residencial."

A motivação da AIG é a mesma que anima muitas seguradoras no atual ambiente de taxas de juros persistentemente baixas: o rendimento. Com as carteiras de renda fixa enfrentando dificuldades, as seguradoras estão ávidas até por alguns poucos pontos-base a mais de retorno relativamente seguro.

"É uma grande coisa", pelos atuais baixos níveis das taxas, obter esse pouco de rendimento adicional por meio da compra direta de contratos de crédito imobiliário, disse Benmosche. É por isso, acrescentou, que a AIG está em negociações com grandes bancos para adquirir seus valores mobiliários referenciados em crédito imobiliário não contratados em agência.

O principal executivo, a quem se atribui o mérito da recuperação dos resultados da AIG - a partir de uma empresa combalida e em meio a uma venda em massa de ativos - tem se mostrado interlocutor frequente na mídia, junto à qual comentou as perspectivas da AIG após um relatório de resultados, divulgado em 1º de novembro, considerado decepcionante por alguns analistas.

As ações caíram quase 10% desde então, e a maior parte dessa retração ocorreu após a empresa ter dito que desacelerará as recompras, a fim de empregar seu capital para aliviar sua carga de endividamento.

Uma das formas pelas quais a AIG poderia administrar esse endividamento é por meio da venda da ILFC, sua divisão de arrendamento de aviões. A empresa solicitou a realização de uma Oferta Pública Inicial (IPO, nas iniciais em inglês) da companhia no segundo trimestre de 2011, mas os avanços nesse sentido foram frustrados pelas circunstâncias de fragilidade dos mercados. Benmosche disse ontem que a venda terá de esperar até a situação do mercado melhorar.

"O principal é o fato de sentirmos que deveríamos tentar conseguir uma venda de 51%, de forma que possamos desconsolidar o endividamento em relação à AIG; assim, essa é uma das nossas metas, mas temos que ver como vai ser", disse ele. "Estamos tentando chegar num lançamento de peso que nos garanta mais do que meio caminho andado."

Com o endividamento sob controle e as recompras essencialmente concluídas, a AIG tem falado da possibilidade de distribuir dividendos aos acionistas já no ano que vem.

"Há várias coisas que poderíamos fazer, e ainda estamos estudando todas essas possibilidades", disse Benmosche.

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